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Mensagens

Beijinhos do meu filho e outra coisa mas sem interesse!

Ontem foi um dia para esquecer, mas só até às seis da tarde. Tive um turno horrível, cheio de trabalho e saí duas horas mais tarde do que devia. Fiz-me à estrada de lagrimeta no olho e a dizer mal da vida porque o G. chegaria a casa antes de mim, não me encontraria, choraria pela maminha e pé pé pé e lá lá lá. Enfim, o drama do costume. Até que cheguei a casa. Onde tudo passa, quase tudo se esquece e onde me sinto completa e simplesmente feliz. Vi-o de soslaio, tomei banho a correr (quando venho do hospital não lhe pego sem tomar banho. Manias!) e fui roubá-lo ao colo do pai. Assim que me viu, esticou os bracinhos e deu-me aquele sorriso rasgado que derrete qualquer coração. Nada de novo. Até vir para o meu colo, agarrar-me na cara e de boca aberta me ter enchido de beijinhos (sim são beijinhos, à maneira dele mas são beijos!) que, até hoje à noite só me tem dado a mim! Entretanto de manhã acho que disse papá quando o N. o foi levar a creche, mas isso não tem interesse nenhum!* ...

Mãe nas horas vagas

Tinha esperança. Tinha tanta esperança no horário do próximo mês. Andei a trabalhar agarrada à ideia de que seria melhor que o anterior, que folgaria mais de um dia seguido, que teria mais fins de semana livres do que até aqui. Só que não. Volto a trabalhar cinco dias seguidos com apenas uma folga no meio. Volto a folgar um Sábado e trabalhar de Domingo a quarta ou quinta já nem sei. Volto a passar uma semana sem o 'nosso dia de folga'. Volto a vê lo crescer só à tardinha e de fugida porque temos que ir dormir. Sei bem que para a maioria a semana de trabalho também é seguida, mas pelo menos trabalham com o foco no fim de semana que têm como certo. Junto deles, só para eles. A mim (e a outros como eu) nem isso é permitido. Fiquei de rastos. Aliás, já assim andava a acumular cansaço e noites mal dormidas mas na esperança, sempre na esperança deste novo horário. A...

Ontem ia ser um dia lindo

Ontem ia ser um dia lindo. Feriado, sol e sete meses de ti nas nossas vidas. Íamos sair de manhã, passear na praia com roupa de Primavera. Mostrar-te o mar e pôr te os pés na areia pela primeira vez. Ias estranhar mas com certeza gostar. O papá ia delirar e o meu coração transbordaria só de vos ver ali assim, a tapar te os pés com areia fininha. Pelo menos era isto que tinha imaginado. Só que não. Não fomos. Eu fui só trabalhar e tu ficaste só com o pai em casa a brincar. Não houve bolinho nem houve bolachas, não houve o livrinho do mês nem a foto da praxe. Houve um turno demasiado longo e uma chegada a casa tardia. Apenas um mês de trabalho e sete de vida e já estou a falhar. Só tu não me falhas. Não me falhou esse sorriso rasgado assim que cheguei. Não me falhou o miminho na cara entre as tuas mãos pequeninas. E como se percebesses a minha tristeza pelo dia que ...

Talvez seja tempo de mudança

Hoje estava pronta para fazer o balanço do primeiro mês de trabalho. Depois parei e pensei: ainda só passaram 20 dias... sim. Já estou cansada como se trabalhasse há meses mas não. Ainda não passou sequer um. Tem sido duro. As noites que já eram de seis horas voltaram a ser de três ou mesmo de duas horas seguidas se sono. Muita maminha, muito miminho. Mas às seis quando ele pega no sono eu tenho que me levantar não tarda para pegar no trabalho. Gozo uma hora antes, que me dá a oportunidade de o preparar para a creche e de sairmos os três de casa à mesma hora. Gozo outra hora no fim. Mas nem sempre. O trabalho é muito e é raro o dia em que às três já despi a farda. E ainda gasto 40 minutos de cada uma dessas horas em viagem. Tenho me sentido mais stressada do que gostaria. Sair mais cedo implica mais rapidez e a mesma eficiência para não prejudicar quem segue o meu turno. Mas nem s...

Dia de Folga

Parece o título de uma canção (que por acaso o G. adora) mas não. É apenas o dia mais aguardado da semana, aquele pelo qual espero ansiosamente durante todos os outros dias. O dia em que eu folgo do trabalho e ele folga da creche. Em que eu o deixo dormir e o visto sem pressa. Em que voltamos à maminha sem horários e a toda a hora. Em que fazemos o almoço 'juntos' para o papá que nos vem ver ao meio dia. O dia em que adormecemos juntos no sofá na hora da sesta. Em que o acordo com beijinhos à hora da papa. Em que rebolamos no chão e ele me enche as bochechas de baba. São estes dias de folga a única vantagem que vejo em trabalhar por turnos. Uma vez por semana voltamos a ter um dia daqueles que tivemos todos os dias durante seis meses. E sabe tão bem. Se não aproveito também os outros dias? Sim. O máximo que consigo. Mas há coisas que só podemos e conseguimos fazer nestes dias e é por isso que são especiais. E eu passo o resto dos dias à espera deles.

Seis meses. Parabéns e obrigada.

Seis meses. Meio ano que passou tão rápido. Nao, não passou sem darmos conta! Porque só não damos conta quando foi tempo que passou sem vermos, sem sabermos, sem vivermos. E este tempo foi tão, mas tão cheio de vida. Parabéns é o que se costuma dizer. Parabéns ao bebé, parabéns aos papás. Mas a ti, faz me mais sentido agradecer: Obrigada por seis meses de vida. Vida a sério. Vida preenchida. Vida em cheio e cheia de vida. Obrigada por seis meses de amor. Não que já não amasse de muitas maneiras. Mas de amor assim. Sem medida, sem início e sem ter fim. Obrigada por me mostrares que é possível olhar nos olhos e despir a alma. É o que me fazes cada vez que páras a olhar nos meus. Obrigada por me ensinares que os maiores carinhos estão nas mãos mais pequeninas e que mesmo sem conseguirem rodear completamente o pescoço, os teus braços pequeninos conseguem ab...

Fora do peito

Há mais de um ano que não sei o que é estar sozinha. Fosse onde fosse sabia que ele já lá estava. Um coração pequenino a bater compassado com o meu. Sossegado julgava eu, até se fazer sentir com o mais doce dos pontapés. Se em nove meses nunca o larguei porque havia de o largar nos seis que passou cá fora. Foram intensos, arrebatadores, cansativos mas cheios de um amor que eu não conhecia e que quis viver sem folgas. E agora custa tanto. E a culpa se calhar é minha. Devia tê lo deixado aprender a viver sem mim. Mas eu não conseguia viver sem ele. Será? Terei falhado redondamente em tão pouco tempo de vida? Hoje volto a ficar sozinha. O papá já foi trabalhar e o G. continua a adaptação para a creche. E eu estou aqui, ainda tão inadaptada quanto ele. Já não sei viver assim. Com tempo para gastar a fazer qualquer coisa quando a única coisa que me dá prazer fazer é, nestas horas feita por estranhos. E se é estranho que outras mãos lhe peguem, o vistam, o dispam, o alimentem, o embalem....