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Mensagens

Então e nós?

Onde estamos? Nós que casámos tão cedo e que íamos conhecer o mundo. Que viajámos juntos o que nunca viajámos sozinhos. Nós que saíamos ao Sábado de manhã sem rumo, palmilhávamos quilómetros em jardins e centros comerciais. Que comprávamos móveis na loja Sueca e acabávamos o dia a comer hambúrgueres no restaurante da letra amarela. Que íamos ao Porto todos os meses e que passeávamos de mão dada pela rua de Santa Catarina. Que íamos ao Sá da Bandeira ver teatro de revista e os espectáculos do César Mourão. Nós que passávamos dias de chuva lá fora a ver séries e filmes cá dentro e acabávamos a comer pizza e pão de alho no chão, em frente à lareira. Que nem sempre fazíamos jantar. Para quem a vida era aqui e agora e o que nos apetecesse fazer dela. Juntos. Sempre juntos. Nós que chegávamos à praia de manhã cedinho, caminhávamos de mão dada à beira mar e só voltávamos a casa quando o sol se começava a esconder. E foi na praia, entre uma bola de berlim e outra, a ver miúdos ...

O assunto hoje é roupa

Ele está a crescer. A crescer a olhos vistos, há quem diga! Cá no meu ver só me cresce num olho que no outro continuo a ver aquela coisa pequenina que passava o dia aninhada no colo. Tenho um pequeno colapso cada vez que me cruzo com fotos de há bem pouco tempo. As que estão ao cimo das escadas são de Setembro passado e a diferença é enorme. Os mesmos olhos, as mesmas expressões mas uma chupeta que ele já deixou, um chapéu que já não entra na cabeça, uma camisola que já não lhe serve. Quem diz uma camisola diz uns calções, um casaco ou umas calças. E é assim que me resigno e aceito que, efectivamente o meu bebé está a crescer. Que quem corre lá por casa já é um pequeno rapazinho e que sim, aquela camisola era manga comprida e não, nunca foi manga a três quartos. A seguir a isto tenho outros pequenos colapsos, nomeadamente quando percebo que detetm...

Escolha (in)certa

Como escrevi no último post, no final do ano passado surgiu a oportunidade de mudar de emprego. Trabalhava num hospital público a 40km de casa, há quase seis anos com um contrato estável. Sim, é talvez a situação laboral que muita gente anseia e pela qual luta há muito tempo mas deixem-me ser egoísta ao ponto de não estar satisfeita. Pela distância de casa, pelas viagens intermináveis, pelos gasto em gasóleo e manutenção, pelo cansaço acumulado, pelas horas roubadas à minha família.  Em Setembro de 2016 concorri para um hospital a 20km de casa. Fui admitida ao concurso, fui seleccionada para entrevista mas a colocação não foi a que esperava, apesar de não ser má. Seria certamente chamada mas seria um processo mais demorado do que imaginara. Desanimei. Mas eis que, depois das semanas atribuladas de Dezembro, no dia 22, fui contactada para começar a trabalhar no dia 2 de Janeiro em regime de contrato de substituição. Arrisquei. Troquei o certo pelo incerto na certeza de que ...

Ainda sobre o ano velho

Os últimos meses do ano passado foram bastante atribulados. O G. adoeceu em Novembro e, até ao final do ano já tinha feito três vezes antibiótico. Esteve internado, eu estive com ele. Oito dias em isolamento por um vírus respiratório. Vê-lo doente não é fácil, nunca foi, mas vê-lo doente ali, despido, a arder em febre, com a respiração e o coração acelerado fazia quase parar o meu.  A vida cá fora ficou em stand by. Obviamente deixei o trabalho e o pai ia trabalhar de manhã para durante a tarde estar connosco e eu poder tomar um banho quente e comer uma refeição de faca e garfo. O tempo parou. Quando me falavam em cinco dias, sete dias eu não tinha a noção de ter passado tanto tempo.  Fizemos amigos na cama ao lado e era com eles que passavam os dias. Como diria a mãe do J. 'rimos juntas de dia e de noite chora cada uma para seu lado'. Porque a febre não passava. Porque até passou de dia mas à noite voltou. Porque íamos ter alta mas já não vamos. Porque a saturação te...

Campanha Solidária #1

O principal objectivo para a criação deste blogue foi colocar em palavras o que me ia no coração. Um coração que de um momento para o outro conheceu o maior amor do mundo e que, de repente deixou de conter certas emoções. Escrever sobre elas ajudou-me e, pelo feedback que tenho tido, tem pelo menos tocado também outros corações. Pretendo que seja um cantinho onde escrevo sempre que me sinto inspirada a tal, portanto, nunca pensei, nem pretendo transformá-lo num meio de publicidade. Contudo, resolvi aceitar o convite da Ana Azevedo, do blogue Anas há muitas e juntar-me a um Clube de Blogueres criado por ela: o Clube de Blogueres Oriflame . Como o nome indica, a característica que nos liga é o facto de todas sermos acessoras Oriflame, tendo nos juntado neste grupo com vários objectivos, entre os quais realizar campanhas de solidariedade, através da venda de produtos desta marca. E foi esta vertente de solidariedade que me fez aceitar entrar nesta parceria e incluir esta categoria n...

Mimos para quem cuida

Não é novidade para ninguém o pesadelo que foi para mim ter que me separar do meu filho para ir trabalhar. Não era o regresso ao trabalho que me assustava, embora continue desiludida com o estado a que chegou a minha profissão e não coloque de lado a hipótese de mudar de área assim que surja oportunidade. O que me tirava o sono era o facto de deixar de ser eu a cuidar dele e ter que o entregar aos cuidados de pessoas que eu não conhecia.  Não foi pacífico. Procurámos referências de todas as opções que tínhamos perto de nós. Discutimos muito sobre o assunto. Discutimos a sério sobre o assunto. Porque a dada altura, as avós queriam ficar com ele e eu, que nunca colocara essa hipótese, já só queria essa opção. Toldada pelos sentimentos não era capaz de ver as alterações que isso implicaria na vida de cada uma delas e que, racionalmente o pai via com clareza. Posto isto, o G. ingressou na creche (têm toda uma descrição sentimentaléeeerrima aqui e aqui ). Não foi perfeito. Longe...

O quarto está pronto. Nós é que não.

O quarto ficou montado ainda antes da mala da maternidade estar pronta. Tudo muito branco, verde água e azul, tal e qual como idealizara para o receber. A partir dos seis meses era ali que o G. ia dormir, noites serenas e tranquilas. Até porque era a idade recomendada para mudar de quarto. Antes disso não, por causa do risco de morte súbita. Depois disso nem pensar, porque nunca mais íamos conseguir tirá-lo do nosso quarto. Na nossa cama estava fora de questão! Era arriscado e pior do que isso, ia ficar mal habituado! Ainda assim, como pretendia amamentar, providenciámos um berço em side car, que nos foi emprestado por um casal muito amigo. Até isso me pareceu bem. porque estar a comprar um berço para seis meses era um desperdício. Só que não. Um mês depois já tinha percebido que a prática em pouco correspondia à teoria. Que era junto a nós que ele acalmava. Que era de mão dada que ele adormecia. Que amamentar era um desafio e que de noite funcionava melhor deitada. Que as noit...