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Eu e a festa dele: dois anos.

Setembro nunca me deixa ficar mal mas eu, por norma deixo ficar mal Setembro! Porque o deixo passar e acabar sem falar sobre um dos dias mais importante do mês: o dia em que festejamos os anos do Gui! Já falei sobre o dia do aniversário propriamente dito, aqui e de como optámos por lhe oferecer memórias em vez de bens e tralha perecível. Mas ainda não falei da festa propriamente dita, sendo que este ano tentei também controlar-me, seguindo um pouco a mesma filosofia. Não foi fácil, acabei por exagerar aqui e ali, mas acredito que com o tempo isto melhora (ou não)!

Este ano o tema estava definido há algum tempo. Depois de termos decidido que o primeiro ano seria festejado entre nuvens e balões de ar quente, ele começou a mostrar a sua preferência pelos 'Heróis da Cidade' e ficou claro que a festa do segundo aniversário iria enveredar por aí. Não foi fácil, até porque não há absolutamente nada à venda sobre este tema o que me obrigou a puxar ainda mais pela cabecinha e a mais uma vez, ser eu a fazer praticamente tudo. Valeram-me mais uma vez aquelas lojas dos senhores que viviam na China antes de virem para cá, a que não gosto muito de ir mas que realmente não me deixaram ficar mal.

Os convites foram home made. Uma coisa simples e muito rápida de fazer utilizando a aplicação do Canva. Foram nuns envelopezinhos de papel pardo e, a quem não consegui entregrar em mãos enviei através do messenger. Fácil não é? 

Depois vinha a questão das lembranças que o ano passado optei por não ter porque quer ele, quer os amiguinhos eram muito pequeninos e achei que não fazia grande sentido. Este ano, além de todos já serem crescidos e acharem piada a levar qualquer coisa para casa, havia ainda a questão de ir festejar pela primeira vez na escolinha e ser habitual, também ali, oferecer um miminho. Recorri, mais uma vez, às Gotinhas do Mateus que reproduziram uma imagem alusiva ao tema em rótulos para as benditas bolinhas de sabão! É muito usado? É? Está muito visto? Está! Mas eles adoram e foi bom saber que proporcionamos momentos de diversão a cada um deles. Também as gomas e os rebuçados são muito vistos e não é por isso que caem em desuso (infelizmente).

A decoração é, habitualmente aquilo em que me perco (isso e a comida mas já lá vamos). Não porque goste de coisas elaboradas, pelo contrário. Mas porque acho que é a única oportunidade que tenho de dar asas à imaginação e reproduzir aquilo que gostaria de fazer mais vezes: decorar festas para crianças. Derreto-me a ver aquelas mesas mimosas, todas no mesmo tom e no mesmo tema com pormenores a combinar. É pá sou assim! Podia dar-me para pior!
Portanto, e tendo em conta a falta de opções no mercado, acabei por escolher duas cores base e andar à volta disso e dos personagens favoritos: o Corvo Calamidade, o Paulinho e a Bela! Não ficou tudo exactamente como idealizei, principalmente porque não consegui fazer a grinalda de balões desconstruídos que planeei (culpa do pai para quem o tempo chega e sobra e vamos devagar que vamos muito a tempo! Homens!). Mas no geral acho que correu bem.

Só não correu tão bem o facto de termos decidido fazer a festa ao ar livre, num espaço até bastante agradável na Marina da Gafanha da Encarnação, que teria sido perfeito para brincar e aproveitar o ar livre, não fosse o vento medonho que se levantou nesse dia. Confesso que fiquei um pouco triste por isso porque os convidados não usufruíram da festa e do local como tínhamos planeado, havendo sempre aquele receio das consequências do tempo na saúde dos miúdos e dos graúdos.

E agora a parte que este ano meu deu um gozo enorme e me trouxe nas nuvens um par de meses: o Bolo. Já o ano passado tinha ponderado ser eu a fazê-lo mas depois, com uma festa tão grande e com tantas outras coisas para fazer, decidi que o bolo ficaria a cargo de alguém que realmente estivesse habituada a fazê-lo e encomendei fora. Mas fiquei sempre com aquela vontade a moer-me, embora não pensasse muito no assunto. A certa altura do campeonato comecei a tratar da encomenda do bolo, a pedir orçamento e acabei por alinhavar mais ou menos a encomenda. No entanto, eis que a minha grande amiga de infância me pede para ser eu a fazer o bolo de batizado da filha, uma vez que não poderíamos estar presentes na festa, sendo assim assinalada a nossa presença. E aqui pára tudo! Eu não podia dizer que não. Mas isso implicava cá neste coração fazer também o do meu filho. Aguardei o horário de Setembro, falei com a profissional que tinha contactado, que percebeu perfeitamente e mentalizei-me que, em Setembro, no espaço de duas semanas iria fazer os meus dois primeiros e maiores projectos de cake design.

Como fui partilhando pelo Facebook e Instagram, foram duas semanas de loucos, de muito stress e expectativa, que no fim, me trouxeram um enorme prazer e a sensação de 'querer mais disto'. Quando coloquei o meu corvo, toscamente modelado, no topo do bolo do meu filho foi uma emoção e um perceber que afinal fui capaz e se calhar sou capaz de muito mais. Para algumas pessoas pode ser insignificante, mas tenho certeza que outras percebem a minha paixão quando falo nisto.

Não poderia terminar sem agradecer aos meus grandes amigos Dolores que, para que eu pudesse dedicar-me ao bolo, trataram de todas as sobremesas de copinho que, claro está, estavam maravilhosas.

Ficam algumas fotos do resultado final para mais tarde recordar.

O 'famoso' Bolo 




 




As lembranças d' As Gotinhas do Mateus (rótulos)











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