Avançar para o conteúdo principal

Memória(s) curta

De Dezembro'

Hoje ao fim do dia, depois de lhe dar banho e ele fugir, colocar o creme e ele fugir, vestir lhe o pijama e ter que correr atrás dele para vestir o robe, sequei lhe o cabelo aos pulos e passei lhe o pente de raspão. Ele correu para as escadas, o pai apanhou o e eu fiquei de joelhos na casa de banho, no mesmo sítio onde o penteei, com a sensação de que tinha corrido uma maratona. Suspirei alto e bom som um 'mas este miúdo não pára um segundo' a tempo de ouvir o pai gritar um 'está quieto um bocadinho filho!'
Depois lembrei me que há precisamente um ano, poucas semanas depois de aprender a andar, ele ficou internado. Estava em repouso por falta de ar e confinado a uma caminha de grades. E que eu chorava todas as noites com medo que ele deixasse de saber andar. E que ansiava todos os dias por vê lo correr fora dali.
Impressionante como a nossa memória é curta.
Não pares filho. Nunca mais voltes a parar. Quando não conseguir correr atrás de ti vou mais devagar. Só não pares por favor, que eu não me iria perdoar'











Comentários

Mensagens populares deste blogue

Quanto [me] custa ser Enfermeira

Custa muito. Custa tanto que às vezes acho que não vale a pena. E uso a palavra 'custar' de propósito porque, bem vistas as coisas, há sempre uma associação ao nosso salário: são pagos para isso, não fazem mais do que a vossa obrigação. E ouvir isto assim, dito da boca para fora, magoa. Magoa muito.  Magoa porque quem o diz, não faz ideia de quanto custa, por exemplo, amparar a queda de quem descobre que vai morrer. A quem é dito que já não há cura. Amparar o desencanto de sonhos interrompidos aos 20, aos 30, aos 40 anos. Não importa a idade. São sempre sonhos de alguém. Não faz ideia de que é inevitável projectarmos a nossa vida nestas vidas e que vivemos sempre assustados com o que nas nossas vidas pode surgir. Magoa porque não fazem ideia de quanto custa segurar na mão de quem parte e depois segurar na mão de quem fica. Aliás, a maioria das pessoas nunca teve que ver um cadáver de perto, quanto mais acompanhar essa passagem tão avassaladora, que culmina num último s...

Talvez seja o fim...

Há algum tempo que quero escrever sobre isto, mas em bom rigor, não achava que tivesse acabado. Porque ele ainda pedia, eu não oferecia mas não negava e portanto, de vez em quando ele ainda mamava. Mais à noite, só por miminho, mas mamava. Há dois dias voltou a pedir e eu, não neguei, mas disse-lhe o que vinha a dizer-lhe desde que senti que estava na hora. Disse-lhe que as 'maminhas estão velhinhas' e que se calhar já não tinham leitinho. Pela primeira vez ele não insistiu. Aconchegou-se no meu colo, pousou a mão nas 'maminhas cansadas' e adormeceu. Hoje parei e fiz as contas. A última vez que ele mamou foi quando esteve doente, com febre, há precisamente vinte e dois dias. Pediu e mamou até adormecer à hora da sesta. Nunca esteve um período tão longo sem mamar, portanto acho que talvez desta vez seja mesmo o fim. Achei que ia sofrer, que ia chorar, que ia mais uma vez ser o fim do (meu) mundo, mas não. Estou bem, em paz e, em relação a este assunto reina uma ...

O assunto hoje é roupa

Ele está a crescer. A crescer a olhos vistos, há quem diga! Cá no meu ver só me cresce num olho que no outro continuo a ver aquela coisa pequenina que passava o dia aninhada no colo. Tenho um pequeno colapso cada vez que me cruzo com fotos de há bem pouco tempo. As que estão ao cimo das escadas são de Setembro passado e a diferença é enorme. Os mesmos olhos, as mesmas expressões mas uma chupeta que ele já deixou, um chapéu que já não entra na cabeça, uma camisola que já não lhe serve. Quem diz uma camisola diz uns calções, um casaco ou umas calças. E é assim que me resigno e aceito que, efectivamente o meu bebé está a crescer. Que quem corre lá por casa já é um pequeno rapazinho e que sim, aquela camisola era manga comprida e não, nunca foi manga a três quartos. A seguir a isto tenho outros pequenos colapsos, nomeadamente quando percebo que detetm...