Avançar para o conteúdo principal

Hoje #2: co-sleeping à moda antiga

Hoje ficou na avó. Na minha mãe.
Ao fim da tarde a minha irmã mandou me isto. Um emaranhado de gente a dormir a sesta, que durou mais de três horas. Ele e os tios. Um p'ra cada lado. Os meus irmãos a dormir com ele em co-sleeping. Não foi preciso ensiná-los. Eles conhecem o conceito, só lhe dávamos outro nome. Chamava se: 'haver só um quarto p'rós três' E era tão bom. E era tão simples. E não se falava em mimo a mais, em dormir sozinho, em habituar mal.
Hoje há mais espaço, há mais quartos, há mais divisões. E há famílias debaixo do mesmo tecto que partilham pouco mais do que isso. Um tecto.
Ensinam-se bebés a dormir sozinhos, a ser independentes, a ter pouco colo porque o mimo estraga.
Gostava só de perceber onde ficou a simplicidade da vida que levávamos. Quando foi que tudo mudou.






Comentários

Mensagens populares deste blogue

Quanto [me] custa ser Enfermeira

Custa muito. Custa tanto que às vezes acho que não vale a pena. E uso a palavra 'custar' de propósito porque, bem vistas as coisas, há sempre uma associação ao nosso salário: são pagos para isso, não fazem mais do que a vossa obrigação. E ouvir isto assim, dito da boca para fora, magoa. Magoa muito.  Magoa porque quem o diz, não faz ideia de quanto custa, por exemplo, amparar a queda de quem descobre que vai morrer. A quem é dito que já não há cura. Amparar o desencanto de sonhos interrompidos aos 20, aos 30, aos 40 anos. Não importa a idade. São sempre sonhos de alguém. Não faz ideia de que é inevitável projectarmos a nossa vida nestas vidas e que vivemos sempre assustados com o que nas nossas vidas pode surgir. Magoa porque não fazem ideia de quanto custa segurar na mão de quem parte e depois segurar na mão de quem fica. Aliás, a maioria das pessoas nunca teve que ver um cadáver de perto, quanto mais acompanhar essa passagem tão avassaladora, que culmina num último s...

Talvez seja o fim...

Há algum tempo que quero escrever sobre isto, mas em bom rigor, não achava que tivesse acabado. Porque ele ainda pedia, eu não oferecia mas não negava e portanto, de vez em quando ele ainda mamava. Mais à noite, só por miminho, mas mamava. Há dois dias voltou a pedir e eu, não neguei, mas disse-lhe o que vinha a dizer-lhe desde que senti que estava na hora. Disse-lhe que as 'maminhas estão velhinhas' e que se calhar já não tinham leitinho. Pela primeira vez ele não insistiu. Aconchegou-se no meu colo, pousou a mão nas 'maminhas cansadas' e adormeceu. Hoje parei e fiz as contas. A última vez que ele mamou foi quando esteve doente, com febre, há precisamente vinte e dois dias. Pediu e mamou até adormecer à hora da sesta. Nunca esteve um período tão longo sem mamar, portanto acho que talvez desta vez seja mesmo o fim. Achei que ia sofrer, que ia chorar, que ia mais uma vez ser o fim do (meu) mundo, mas não. Estou bem, em paz e, em relação a este assunto reina uma ...

O assunto hoje é roupa

Ele está a crescer. A crescer a olhos vistos, há quem diga! Cá no meu ver só me cresce num olho que no outro continuo a ver aquela coisa pequenina que passava o dia aninhada no colo. Tenho um pequeno colapso cada vez que me cruzo com fotos de há bem pouco tempo. As que estão ao cimo das escadas são de Setembro passado e a diferença é enorme. Os mesmos olhos, as mesmas expressões mas uma chupeta que ele já deixou, um chapéu que já não entra na cabeça, uma camisola que já não lhe serve. Quem diz uma camisola diz uns calções, um casaco ou umas calças. E é assim que me resigno e aceito que, efectivamente o meu bebé está a crescer. Que quem corre lá por casa já é um pequeno rapazinho e que sim, aquela camisola era manga comprida e não, nunca foi manga a três quartos. A seguir a isto tenho outros pequenos colapsos, nomeadamente quando percebo que detetm...