Avançar para o conteúdo principal

Limpar por turnos

Como muitos já saberão, sou uma enfermeira que, se pudesse, ter-se-ia dedicado única e exclusivamente ao papel de mãe. Embora essa possibilidade não se tenha proporcionado, desde então que temos feito algumas mudanças e adaptações naquilo que era a nossa vida antes do Guilherme, sempre com o mesmo objectivo: mais tempo de qualidade em família. Continuo no entanto, a ser uma enfermeira, que agora também é mãe, mas que continua a trabalhar por turnos (na sua maioria de 12 horas), com todas as dificuldades que isso implica.

A maior dificuldade que encontro neste nosso estilo de vida é manter-me organizada no que diz respeito, por exemplo, às questões da casa, além de ser praticamente impossível manter dias específicos para fazer determinadas tarefas. Outra coisa muito difícil de manter são as rotinas, sejam elas de que natureza forem. Cá em casa fazemos, no entanto, um esforço para manter aquelas que ao Guilherme dizem respeito, como horas de deitar e levantar, hora do banho e do jantar, etc. Digam o que quiserem, mas manter este tipo de questões asseguradas contribui para lhes dar segurança e harmonia. O Guilherme sabe que, ontem a mãe estava em casa à noite e que, apesar de hoje não estar, essa vai ser a única diferença. Antes de jantar vai tomar banho e mergulhar na banheira mas com o pai. Para nós funciona e faz sentido.

Relativamente às tarefas da casa só há duas coisas bem definidas cá por casa. A primeira é que no dia antes de ir trabalhar doze horas, a comida e as marmitas têm que ficar prontas ou definidas até eu voltar a estar de folga. A outra, é que à sexta feira vem uma senhora (uma amiga aliás) ajudar na limpeza e na organização das roupas. De resto tudo vai rolando conforme o horário que tenho. No entanto, há duas semanas fomos confrontados com uma nova questão que me fez pensar em reorganizar muita coisa cá por casa.

O Guilherme é alérgico aos ácaros. Alergia confirmadíssima e que vem explicar muita coisa até aqui. Tendo isto em conta, todas as questões relacionadas com a limpeza e arrumação ganham um novo contorno e é imprescindível criar alguns hábitos que não tínhamos e tornar outros mais regulares. Para já, toda a sintomatologia é cutânea e eu não quero entrar em exageros mas, para quem lida diariamente com sequelas de patologias alérgicas e respiratórias não é fácil. Assim, já me actualizei em tudo o que são cuidados necessários e imprescindíveis para minimizar sintomatologia e, espero eu, evitar medicação que, para já foi necessário iniciar.

Assim, como sei que passam por aqui imensas mães que lidam diariamente com esta realidade, decidi fazer um post para este ser mais um assunto de que se fale por aqui. Dicas que vos pareçam úteis ( como já partilhámos algumas no feed da página de facebook), truques de limpeza, produtos que usem e vos tenham ajudado e sim caras colegas enfermeiras: dicas de organização!!! Como se orientam diariamente entre turnos e limpezas a fundo para gerir! Da minha parte podem contar também com tudo o que for encontrando e que considere que nos possa facilitar a vida.

Eu sei que é uma 'alergiazéca', que há coisas piores e que não preciso de fazer um filme. Mas na nossa casa não perdíamos tempo com o pó nos móveis se no apetecesse ficar mais tempo a rebolar no chão. Portanto temos que encontrar estratégias para que a única diferença seja mesmo essa: o pó.




Comentários

Mensagens populares deste blogue

Quanto [me] custa ser Enfermeira

Custa muito. Custa tanto que às vezes acho que não vale a pena. E uso a palavra 'custar' de propósito porque, bem vistas as coisas, há sempre uma associação ao nosso salário: são pagos para isso, não fazem mais do que a vossa obrigação. E ouvir isto assim, dito da boca para fora, magoa. Magoa muito.  Magoa porque quem o diz, não faz ideia de quanto custa, por exemplo, amparar a queda de quem descobre que vai morrer. A quem é dito que já não há cura. Amparar o desencanto de sonhos interrompidos aos 20, aos 30, aos 40 anos. Não importa a idade. São sempre sonhos de alguém. Não faz ideia de que é inevitável projectarmos a nossa vida nestas vidas e que vivemos sempre assustados com o que nas nossas vidas pode surgir. Magoa porque não fazem ideia de quanto custa segurar na mão de quem parte e depois segurar na mão de quem fica. Aliás, a maioria das pessoas nunca teve que ver um cadáver de perto, quanto mais acompanhar essa passagem tão avassaladora, que culmina num último s...

O meu parto dava um blogue

Durante algum tempo foi este o título que me viveu na mente para dar nome a este cantinho. Era sobre isso que queria e precisava falar. O que aquele dia me fez, o que deixou em mim e o que levou. Mas depois não era só  disso que queria falar porque acredito que, aos poucos vou ser mais do que essas marcas. Também queria falar deles, de nós, dos nossos dias, enfim. Escolher esse título seria muito redutor. Mas uma certeza tinha, a de que  escreveria um post com esse título. Tinha que escrever sobre isto porque se fala pouco do lado menos cor de rosa da maternidade e eu senti-o na pele. Ah se senti. Esperei ansiosamente por aquele dia. Os últimos dias então eram intermináveis e só tinha 37 semanas. Mas via toda a gente a chegar às 40/42 e eu não queria. Não queria mesmo! E tive essa conversa com o meu filho que, mostrando já o doce de menino que era, fez me a vontade. No dia 25 de Setembro, com 37 sema...

Planos suspensos

Às vezes acho que as pessoas duvidam de mim. Está na cara. Na expressão. No tom com que me respondem. Não as censuro. É difícil de acreditar que alguém, a dez dias do fim do mês, não tenha planos para o mês seguinte. Que a dez dias do fim do mês não possa confirmar presença num almoço de família. Não saiba o que vai fazer no dia da criança. Não consiga confirmar disponibilidade para fazer um bolo para o filho da amiga. Não saiba se vai á festa da escola do próprio filho. Ain da por cima às vezes com coisas marcadas, liga a dizer que afinal não dá. Que afinal trabalha. Que lhe deram mais um turno. Que estava de folga mas já não está. Eu sei. Não é fácil de acreditar. Mas acreditem que também não é fácil de viver. Uma vida em suspenso. Ver planos adiados, deixar amigos pendurados e encontros por marcar. E este desencontro cansa. E por saber disso, às vezes acabo por não marcar. Porque já sei que não vai dar. E não marcar é deixar de estar presente. É deixar de ser lembrado...